Renata Gil, Marcos Pontes e Ângelo Vetorazzi fazem a abertura do 1º Fórum de Inovação

Renata Gil, Marcos Pontes e Ângelo Vetorazzi fazem a abertura do 1º Fórum de Inovação

Evento debate a inserção da tecnologia no Judiciário: Ministro quer firmar parcerias com a AMB

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou nesta quarta-feira (4) a abertura do 1º Fórum de Inovação, Tecnologia e Inteligência Artificial. O evento reúne a Magistratura, os tribunais e a sociedade para trocar experiências e disseminar os conhecimentos teóricos e práticos que possibilitem o fortalecimento da tecnologia no Poder Judiciário. A presidente da AMB, Renata Gil, realizou a abertura do Fórum ao lado do ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e do diretor do laboratório de tecnologia da entidade (AMB Lab), Ângelo Vetorazzi.

O ministro Pontes colocou o Ministério à disposição da AMB para firmar parcerias e desenvolver projetos aliados com a pasta. “Nós, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, nos consideramos sempre como uma ferramenta que trabalha em associação e parceria com todas as outras áreas. Se pensar, a tecnologia está na agricultura, na infraestrutura, na educação, na defesa, na saúde e nós nos consideramos como uma ferramenta. Nós desenvolvemos conhecimento. A missão do Ministério é justamente essa: produzir conhecimento e riquezas para o nosso país. Contribuir com a qualidade de vida das pessoas. E isso nós fazemos com essas parcerias com outros Ministérios e outras Associações”, disse.

Neste momento, Pontes convidou a AMB para desenvolver projetos aliados com o Ministério. “Como vocês verão nós temos uma série de procedimentos, uma série de projetos ligados ao setor de inteligência artificial”, disse.

A magistrada agradeceu o convite e afirmou que o propósito da Associação com a realização do Fórum e a criação do AMB Lab é justamente trazer a academia e o empreendedorismo para o ambiente jurídico. “Nós sabemos, por causa das nossas pesquisas, que o grande desafio da magistratura hoje é diminuir o tempo de processo”, disse. “E nada melhor do que reunir os magistrados brasileiros para propor novas ferramentas, uma vez que são eles que aplicam a profissão e que conhecem a Justiça de trás pra frente”, acrescentou.

De acordo com a presidente da AMB, Renata Gil, há 72 projetos de inteligência artificial sendo desenvolvidos dentro do Judiciário. “Sabemos que falar de tecnologia e inovação não é simples. Antes da pandemia havia uma preocupação de como ela seria aplicada em um sistema de Justiça que tem padrões conservadores como o nosso. Mas, me parece que hoje a tecnologia invadiu nossas casas e é o principal instrumento de trabalho da sociedade brasileira, especialmente de nós juízes”, disse. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desde o começo da pandemia de Covid-19, em março, até o dia 9 de outubro foram realizados 691,1 milhões de movimentos processuais.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes parabenizou a iniciativa de trazer a ciência para dentro das atividades na parte operacional e se colocou à disposição para debater o tema tecnologia. Pontes falou sobre a conexão e a comunicação do país. “Com a conectividade, a internet das coisas e a inteligência artificial nós vamos revolucionar o futuro. Tenho falado sobre inteligência artificial desde o início do ano passado. Nós fizemos um estudo e verificamos que esta área é a que tem maior potencial de geração de empregos e de futuro. Estamos no meio do processo de transformação digital e muitas das análises vão ser feitas por ela”, afirmou.

O ministro concluiu sua fala ao lembrar que a internet e a tecnologia são essenciais para desenvolver economicamente as regiões brasileiras e que elas são ferramentas para a redução das desigualdades sociais. “Precisamos facilitar os serviços para as pessoas. Imaginem áreas remota dentro da Amazônia, por exemplo, onde faltam assistência médica e jurídica. Se isso fosse resolvido por meio da conexão e de banco de dados integrados que aumentassem a eficiência e diminuíssem o tempo de espera dessas pessoas? É para isso que trabalhamos”, afirmou.

O coordenador do AMB Lab, Ângelo Vettorazzi, agradeceu a presidente Renata Gil pelo apoio no desenvolvimento do Laboratório de Inovação. “A Comunidade de inovação é um ambiente que fomenta a troca de experiências para trazer conhecimento e fazer propostas de melhoria da gestão pública”, concluiu.

Segundo Ângelo, o fórum está fundado em 3 pilares. “É muito importante para nós trazer os trabalhos acadêmicos de temas importantes e contemporâneos com pessoas que têm muito a nos ajudar. Teremos também as experiências dos tribunais em inteligência artificial. Por fim, as oficinas que trarão o instrumental para que nós possamos inovar de uma forma mais adequada trazendo método, conhecimento e competência”, avaliou.

“A ideia do fórum é trazer a inovação, na Magistratura, no Poder Judiciário e propor que ela seja sempre um instrumento que tenha como propósito dignificar a vida humana em sua plenitude”, concluiu.

Assista ao vídeo completo da abertura e do primeiro dia de Fórum de Inovação:

Fórum Nacional

O evento é realizado em um momento em que o Judiciário Brasileiro vive intenso movimento de transformação digital e busca alternativas para dar celeridade na tramitação de processos. A modernização tecnológica do Judiciário é, inclusive, um dos eixos da gestão do ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os painéis e as oficinas falam sobre sistemas de inteligência artificial dos Tribunais, tecnologia e instrumentos que colaboram na inovação no ambiente de trabalho.

Cultura e Ecossistema de Inovação

O evento seguiu com a palestra da juíza Luciana Ortiz que falou sobre a inovação no sistema de Justiça brasileiro. De acordo com ela, o olhar voltado para a nova gestão pública requer planejamento, fiscalização e controle. “Nós avançamos para novos conceitos que visam transformar o setor público. Torná-lo mais flexível e adaptável às mudanças organizacionais”, disse.

Segundo ela, a inovação no setor público deve ser construída de forma que dentro do sistema jurídico exista a garantia dos direitos fundamentais, entre eles o principal: o acesso à Justiça.

Depois, o ex-diretor do Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Toledo, falou sobre a Lei de Inovação Tecnológica; e a conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Maria Tereza Uille palestrou sobre a Agenda 2030 da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU).

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Mahila Lara

Assessoria de Comunicação da AMB